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Hector García Salido Editorial da edição  59
Por Hector García Salido
Redator do Diario Qué!


Atila Mourinho

Não, não tornei-me louco. Só basta com dar uma olhada a Inter e Chelsea. O único que se salva da “maldição Mourinho” é o Porto. Chelsea e Inter atravessam por uma grave crises esportiva e institucional desde a ida do luso. Nenhum levanta cabeça depois de subir aos alteres da mão de Mourinho. Surpreende ver como ambas torcidas foram coroado o nome do técnico português. Dizem os que lhe conhecem bem que Mourinho é capaz de exprimir ao máximo a todos seus jogadores. No Chelsea e Inter apostou por futebolistas veteranos. Os esgotou. Nem Lampard nem Drogba nem Lúcio voltarão a ser os mesmos desde que Mourinho abandonara. Uma das grandes virtudes (um problema para o futuro) do luso é aproveitar o máximo a seus futebolistas. Fez com Diego Milito. O argentino marcou-se sua melhor temporada, culminada com os dois gols na final da Champions League ante o Bayern de Múnich. Desde então há poucas noticias do “Principito”. O mesmo ocorre com Sneijder. Tem passado de brigar pela Bola de Ouro a estar no banco. O holandês tenta encontrar-se a si mesmo. Difícil se não está um técnico como Mourinho.

Villas-Boas, no Chelsea, atreveu-se a pegar o relevo. Abramovich crê encontrar nele o novo Mourinho. Nada quer ver. O técnico luso foi capaz de levar ao mais alto ao Porto, mas Londres é outra historia, e mais com uma equipe carregada de veteranos e escasso de ideias no meio do campo. A torcida do Chelsea tem claro que para o ano que vem não quer outra grande estrela contratada a golpe de talonário. Os torcedores “blues” só querem uma coisa: José Mourinho. E isso é o que teme o Real Madrid. O futuro “post-Mourinho”. Sobre tudo Florentino Pérez, quem delegou no luso todo seu poder. Mourinho é o alfa e o Omega na estrutura do Real Madrid. Ele propõe. Ele contrata. Ele decide.

Não há nada mais alem depois de Mourinho agora mesmo no Real Madrid. Um grave erro para uma equipe que pode acabar vivendo o mesmo que Chelsea e Inter se Mourinho finalmente decide ir-se as ilhas.

A omnipresença de Mourinho não é a única. Ocorre o mesmo no Barcelona com Guardiola, ainda que o tono mais sossegado do azulgrana faz seu poder se veja menos. Mas existe. A renovação de Guardiola foi questão de estado no Barcelona. “Sem ele não somos nada”, diz Dani Alves em roda de prensa. Palavras que denotam que o de Santpedor o domina tudo. Como Mourinho, Guardiola controla as contratações, quem fala na prensa, como se joga, como se faz... Guardiola é treinador e presidente. Também preocupa em Barcelona o futuro “post-Guardiola”. Quem se atreve a fazer cargo de uma equipe que tem feito historia? O nível esta muito alto, tanto como as possibilidades de fracassar. Não valerá com ganhar a Liga ou Champions. Tem que ganhar as duas. Uma vez mais, Guardiola e Mourinho, são tão distintos como parecidos.

O Atletic de Bilbao, salvando as distancias, parece viver o mesmo com Marcelo Bielsa. O técnico argentino foi muito discutido por suas primeiras decisões. Tomaram-lhe por louco (casualmente seu apodo) ao colocar a Javi Martinez de central. Os resultados não chegavam e as criticas cresciam, mas Bielsa manteve-se fiel a seu futebol. Seu plano estava em sua cabeça: para jogar bem o futebol necessitava uma saída fluida desde atrás. E isso é o que oferece Javi Martinez. O argentino, como Guardiola, também foi capaz de inventar-se a futebolistas como Iturraspe ou De Marcos, até agora num segundo plano.

Sem embargo, não só temem os clubes a marcha de Mourinho, Guardiola ou Bielsa (tentando pelo Chelsea também ). A liga espanhola perderia aos melhores treinadores do mundo. Sem isso, sem duvida, não voltaria a ser o mesmo.



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